
Laialaiá
Ouvir música pode estimular a
concentração, fortalece o sistema imunológico e, para alguns, é melhor do que
sexo. Essas são algumas das descobertas da ciência sobre o tema, que já serviu
de mote para vários estudos. A seguir, reunimos alguns deles.
Prazer?
Nem todo
mundo sente prazer escutando música. A descoberta é de pesquisadores do
Instituto Bellvitage de Investigação Científica, da Espanha. Após entrevistas
com mil universitários, eles constataram que 1% dos participantes do estudo
consideravam ouvir música algo bem menos prazeroso do que fazer sexo, praticar
exercícios físicos ou comer.

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Sexo
Você já
ouviu a música Bohemian Rhapsody, do Queen? Para muitos britânicos, ouvi-la é
melhor que fazer sexo. A descoberta é fruto de uma pesquisa realizada com 2 mil
pessoas por psicólogos da universidade de Londres. Segundo os cientistas, certas
músicas são capazes de ativar as mesmas zonas de prazer do cérebro que a comida
e o sexo.
Remédio
Mona Lisa Chanda e Daniel Levitin são
cientistas da universidade de McGill, no Canadá. Após analisarem mais de 400
estudos sobre música, eles concluíram que ela aumenta a produção de
imunoglobulina A e glóbulos brancos pelo corpo, responsáveis por atacar
bactérias e outros organismos invasores. Além disso, escutar música reduz os
níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e aumenta os níveis de oxitocina (o
hormônio do bem-estar).
Genoma
Ter um
ouvido bom para música pode ser algo ligado ao DNA. Pelo menos, é o que aponta
um estudo realizado por pesquisadores da universidade de Helsinki. No
experimento, foram analisados os genomas de 767 pessoas de 76 famílias
diferentes. Essas pessoas são conhecidas pela habilidade de diferenciar
características sutis de trechos musicais. No fim, os cientistas constataram a
presença de certos genes no DNA de várias pessoas. Eles favoreceriam a detecção
de determinados sons por essas pessoas.
Poesia
Música e poesia estimulam áreas
parecidas do lado direito do cérebro. A constatação é de neurologistas da
universidade de Exeter. Para chegar a essa conclusão, eles realizaram
experimentos com 13 voluntários - que foram submetidos ao contato com essas
formas de arte enquanto tinham suas atividades cerebrais monitoradas.
Favoritas
Ouvir sua música favorita ativa uma
região do seu cérebro diferente daquela que é estimulada quando você escuta
qualquer canção. A constatação é de pesquisadores da universidade da Carolina
do Norte. Em experimento com 21 pessoas, eles verificaram que, em geral, ouvir
músicas abre o circuito neuronal nos dois hemisférios. Porém, ouvir a música
favorita desencadeia atividade no hipo campo, região do cérebro responsável
pela memória e emoções vinculadas para a socialização.
Esforço
Realizar esforços físicos ouvindo
música é menos cansativo. A descoberta é do Instituto Max Planck. Numa série de
experimentos, pesquisadores monitoraram diversas variáveis do comportamento do
corpo de voluntários que se exercitavam ao som de algum tipo de música. Depois,
a equipe analisou os dados reunidos e constatou que os músculos dos
participantes consumiam menos energia quando as pessoas se exercitavam ouvindo
música do que quando faziam isso sem trilha sonora.
Grávidas
Num experimento realizado pelo
Instituto Max Planck, mulheres que estavam grávidas e outras que não estavam
foram submetidas à audição de sequências musicais com duração que variava entre
10 e 30 segundos. Enquanto isso, a pressão arterial delas era monitorada pelos
cientistas. No fim, constatou-se que as grávidas eram mais sensíveis aos
trechos de música executados, apresentando variações de pressão mais intensas
em função de gostarem ou não do que ouviam.
Ritmo
Uma pesquisa online realizada por
cientistas da universidade de Oxford propôs a 60 pessoas que ouvissem trechos
de música - que deveriam ser avaliados de acordo com a vontade de dançar que
gerassem nos participantes do levantamento. Analisando os resultados, os
pesquisadores perceberam que ritmos com previsibilidade e complexidade médias
tendem a fazer com que as pessoas tenham mais vontade de sacudir o esqueleto
Gosto
Ao longo da
vida, o gosto musical das pessoas tende a se transformar. Um estudo sobre o
tema desenvolvido por pesquisadores da universidade de Cambridge. Com base em
dados fornecidos por cerca de 300 mil pessoas durante um período de 10 anos,
eles concluíram que, enquanto adolescentes procuram estilos mais intensos,
adultos tendem a buscar sons mais sofisticados e despretensiosos. A razão para
isso seriam as mudanças de objetivos pelas quais uma pessoa passa durante a
vida, que influenciariam em suas preferências musicais.
Coral
Fazer parte de um coral é mais
prazeroso do que cantar sozinho ou praticar atividades esportivas em equipe. A
conclusão é fruto de um estudo liderado por psicólogos da universidade de
Oxford. O levantamento envolveu entrevistas com 375 pessoas que realizavam uma
das três atividades. Segundo os cientistas, a satisfação com o que faziam era
estatisticamente maior entre aqueles que participavam de corais do que nos
outros dois grupos.
Idosos
Ouvir música pode ser um bom remédio
contra a dor e a ansiedade em idosos. A descoberta é da Karen Eells,
especialista em enfermagem da universidade de Essex. Em análise de artigos
sobre o tema, ela constatou que o uso da música como terapia entre pessoas com
mais de 65 anos está associado a aumento da qualidade de vida e redução de
dores, ansiedade e da depressão.
Concentração
A focus@will desenvolve músicas que
estimulam a concentração de quem escuta. Segundo a empresa, como a maior parte
das distrações é causada pela audição, ouvir a trilha sonora certa pode
potencializar sua capacidade de focar em algo. Em condições normais, uma pessoa
consegue se manter concentrada por cerca de 20 minutos. Ouvindo a música certa,
a empresa afirma que esse tempo poderia se tornar até cinco vezes maior.
Amor
O irlandês Alexandre Passant é
apaixonado por música. Em maio, ele divulgou os resultados de um experimento no
qual usou algoritmos para analisar as letras das “500 melhores músicas de todos
os tempos”, listadas pela revista Rolling Stone. No fim, ele descobriu, por
exemplo, que a palavra "amor" e suas variações apareciam 1.057 vezes
em 219 canções diferentes. Já "gostar" estava em 194 das 500 músicas.
Deprimente
De acordo com um estudo divulgado na
publicação científica Psychology of Aesthetics Creativity, And The Arts, a
música pop ficou mais deprimente nos últimos 50 anos. A constatação é fruto da
análise de mais de mil canções que estiveram entre as 40 mais tocadas do ano
nos EUA entre 1965 e 2009. Segundo os pesquisadores, quase dobrou nesse período
o número de músicas com acordes menores (geralmente usados em melodias
consideradas mais tristes).
Hits
Qual é a fórmula por trás de uma
música de sucesso? Cientistas da universidade de Bristol foram atrás da
resposta para essa pergunta. Eles criaram um modelo matemático capaz de prever
um sucesso com 60% de exatidão. Para isso, eles vasculharam as listas das 40
canções mais ouvidas do ano no Reino Unido entre 1961 e 2011 com a ajuda de um
computador. No estudo, os pesquisadores confirmaram a tese de que o sucesso de
uma música depende da época em que ela foi lançada e das preferências culturais
envolvidas.
Memória
Cinco pacientes com danos que afetaram
a área do cérebro ligada à memória e cinco pessoas sem o problema foram
submetidos a um experimento por uma dupla de médicos da universidade Macquarie,
da Austrália. Nos testes, eles ouviram trechos de músicas antigas e deveriam
relatar que memórias aquelas canções lhes traziam. Após a experiência, os
cientistas constataram que os trechos fizeram com que a mesma quantidade de
integrantes dos dois grupos se lembrasse de memórias da própria vida. Isso
indicaria que a música é um estímulo que consegue trazer à tona lembranças
autobiográficas para todas as pessoas.
Headbanging
O headbanging é um estilo de dança que
consiste em fazer movimentos violentos com a cabeça. Ele é muito comum entre
fãs de rock pesado. Porém, pode ser perigoso. Na revista médica The Lancet, um
artigo publicado por pesquisadores da Escola Médica de Hanover abordou o caso
de um homem de 50 anos. Ele desenvolveu um hematoma no cérebro por ter
exagerado no headbanging durante um show da banda Motörhead. Foi preciso fazer
um buraco em seu crânio para resolver o problema.
Animais
Cacatuas, leões-marinhos e macacos bonobos estão entre os tipos de
animais capazes de acompanhar o ritmo de uma música. Na opinião de cientistas
da universidade de Connecticut, essa habilidade está ligada a coordenação de
circuitos cerebrais. Pai da Teoria da Evolução, Charles Darwin acreditava que
todos os bichos conseguem perceber e apreciar ritmos musicais.
Uirapuru
Conhecido pela musicalidade do seu
canto, o Uirapuru foi escolhido para um experimento por pesquisadores do
Instituto Max Planck. No estudo, 91 pessoas ouviram e compararam trechos do
canto do pássaro e de melodias compostas por um programa de computador que
imitavam o som da ave. Segundo pesquisadores, a percepção geral entre os
participantes no fim de estudo era de que os trechos cantados pelo próprio
Uirapuru eram mais musicais do que aqueles produzidos pelo computador
Emoções
Cientistas
australianos da universidade de Western Sydney querem usar a música para
arquivar emoções. Para isso, eles desenvolveram um método no qual um microfone
é preso à perna de uma pessoa para gravar a atividade acústica do nervo.
Enquanto essa atividade é gravada, imagens são exibidas para que a pessoa se
emocione. Depois, o material registrado é transformado em música por um
programa de computador. Com isso, os pesquisadores querem produzir uma música
que reavive em quem a escuta a emoção da experiência que a gerou inicialmente.
Darwin
Um artigo
publicado na revista Pnas relata um experimento realizado por cientistas do
Imperial College de Londres. Eles usaram os princípios da seleção natural,
criados por Darwin, para desenvolver um programa que cria músicas a partir das
preferências de mais de 7 mil pessoas. Disponível no site DarwinTunes, o
software combina trechos de música aprovados pelos usuários para criar novas
“gerações” de canções.
Energia
Quando expostos
às vibrações sonoras geradas por canções de rock ou música pop, painéis solares
produzem até 40% a mais de energia. A descoberta é de cientistas da
universidade Queen Mary, de Londres. Segundo eles, o fenômeno acontece porque
esse tipo de música produz um tipo de frequência que afeta positivamente hastes
de óxido de zinco presentes nesses painéis.
Hã?
Os cientistas da universidade de Barcelona advertem: ouvir
música acima de 80 decibéis é prejudicial à saúde. Em reunião realizada na
Espanha, especialistas em audiologia afirmaram que os índices de problemas de
audição entre pessoas entre 10 e 35 anos vêm crescendo nos últimos anos. E a
principal razão disso seria a música alta. Só na Espanha, 4% das pessoas sofrem
com problemas do tipo e 80% delas são jovens.
http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/fotonoticias/24-descobertas-da-ciencia-sobre-a-musica.shtml